Meu querido, meu velho, meu amigo... meu pai amado.

No ano de 1979, Roberto Carlos enfrentou um momento de profunda preocupação quando seu pai, o estimado Sr. Robertino Braga, com 83 anos, sofreu uma grave fratura de seu fêmur.

Esse incidente trouxe grande choque a Roberto, que já vinha ponderando sobre a melhor maneira de homenagear seu pai, com quem vivia um laço muito estreito. Sr. Robertinho, com sua capacidade inesgotável de contar histórias sobre a infância de Roberto em Cachoeiro do Itapemirim, era uma figura sempre ativa e laboriosa.

Prevenindo as sombras que o acidente poderia trazer, Roberto, em colaboração com Erasmo Carlos, criou a canção "Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo". A letra captura a imagem de um ancião que transmitiu sabedoria e experiência, e que começava a sentir o peso dos anos intensamente vividos. A música "Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo" é uma reverência ao pai, ao ídolo de Roberto Carlos. Sr. Robertino teve a chance de ouvir a canção composta para ele.

Roberto Carlos conseguiu prestar essa homenagem a seu "velho amigo" enquanto ainda estava lúcido e consciente, o que se tornou um aspecto crucial. Roberto Carlos não pretendia que a música se tornasse um tributo póstumo ao seu pai. Roberto também jamais supôs que o público, que se deliciava com suas canções, exibiria comportamentos tão atípicos como os que ocorreram na despedida de seu pai.

Após um show no Guarujá, Roberto descansava a bordo do iate Lady Laura II quando foi surpreendido pelo rádio com a notícia da partida de seu pai. Ele se dirigiu prontamente para o Centro Médico Bambina, em Botafogo, onde Seu Robertino estava internado e, devido a complicações repentinas, havia nos deixado, naquele 27 de janeiro de 1980. No hospital, uma multidão de curiosos desrespeitou a privacidade de um homem que, como mencionou o saudoso Agnaldo Timóteo, "era um ser humano como todos os outros".

Desde a chegada do corpo ao Cemitério São João Batista, ocorreram cenas desagradáveis, incluindo pedidos de autógrafos, empurrões, gritos e beliscões, enquanto os fãs esperavam, talvez, ouvir Roberto cantar a música que ele havia composto em homenagem a seu pai. Quando Roberto precisou se retirar, pois os seguranças temiam que se machucasse, alguns ainda esperaram que Erasmo Carlos cantasse.

Tanta foi a agressividade ao ser humano, que o saudoso Erasmo, um gigante gentil, reagiu energicamente: "Gente, isto não é festa nem show. Todos têm obrigação de reconhecer este fato. Jamais vi tal coisa em toda a minha vida, e vou morrer sem conseguir explicar. Roberto conseguiu ficar tranquilo na capela apenas por alguns momentos.

Depois, a agitação cresceu de tal forma que o próprio Roberto Carlos suplicou: "Calma, por favor, hoje não." No entanto, poucos entenderam ou atenderam seu pedido. Mais tarde, ao voltar do Copacabana Palace, onde descansou brevemente, ele só entrou no cemitério protegido por um forte esquema de segurança. O tumulto já era completo; sua família estava cercada pela multidão e até Nice, sua ex-mulher, teve dificuldade para entrar na capela.

O público queria invadir de qualquer maneira. Foi quando Roberto Carlos abandonou o cemitério, temendo um massacre. Após receber cumprimentos de alguns amigos e colegas, entre eles Lady Francisco, Cristiane Torloni, Agnaldo Timóteo, Ed Wilson, Sílvio César, Augusto César Vanucci, Othon Russo, Rosemary, Erasmo Carlos, Jerry Adriani e Austregésilo de Athayde, decidiu deixar a capela minutos antes do enterro.

O Padre João Aires Lima deu a extrema-unção a Robertino Braga, e Roberto, entre gritos, tapas, puxões e empurrões, retirou-se sob a proteção de 20 homens que o acompanhavam e 40 soldados da PM. Apesar das circunstâncias turbulentas, esses eventos, ainda que pudessem ser refreados, Roberto logo esqueceu. De tudo aquilo, só a lembrança de Robertino Braga permaneceu com Roberto.

E a mesma gratidão que o levou a compor "Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo" até hoje lhe traz à lembrança a convivência de um pai e um filho que se ama.


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