A Parceria de Roberto e Leninha

Maria Helena dos Santos Oliveira, nascida em 1927 em Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais, filha de lavradores, teve uma infância marcada pelo trabalho árduo no campo, o que fortaleceu sua resiliência. Jovem ainda, mudou-se para o Rio de Janeiro em busca de melhores oportunidades.

Na capital, trabalhou como empregada doméstica, costureira e lavadeira. Viúva prematuramente, com cinco filhos para sustentar e um sexto a caminho, encontrou na música um refúgio e uma possibilidade de renda. Helena não possuía formação musical e não sabia tocar instrumentos, mas seu falecido marido a ensinara a compor e trabalhar com rimas. Armada com lápis e papel, começou a escrever sambas, boleros e marchinhas de carnaval.

A maioria de seus primeiros esforços encontrou portas fechadas, sendo rejeitada até por grandes nomes da música brasileira. Sua jornada tomou um rumo decisivo quando, incentivada por amigos e movida pela necessidade, decidiu apresentar suas músicas a Sérgio Murilo, um astro do rock. Embora não tenha tido sucesso com Murilo, essa tentativa a levou indiretamente a Roberto Carlos, um jovem cantor emergente na época.

Após também ser incentivada a procurar Roberto Carlos por Rogéria, uma cantora que admirava suas composições mas não gravava aquele tipo de música, Helena abordou Roberto nos bastidores da Rádio Globo com a canção "Na Lua Não Há". Enquanto ela cantava baixinho, Roberto aproximou-se para ouvir melhor, acompanhando o ritmo com estalos de dedos, completamente envolvido.

Entusiasmado, pediu que ela repetisse e, na terceira vez, cantou toda a música junto com ela. Esta canção, que falava de buscar um amor na lua, foi a primeira de muitas colaborações entre eles. Encantado pelo tema inusitado, Roberto decidiu incluir a música em seu repertório. Após esse primeiro contato, Helena decidiu afastar-se das rádios para cuidar da gravidez, que já estava no sétimo mês. Seis meses após dar à luz, uma amiga mencionou que o radialista Luís de Carvalho pedia diariamente, ao vivo, que Helena dos Santos fosse à rádio com urgência.

Ao chegar lá, descobriu que Roberto estava aguardando sua autorização para lançar um novo disco que incluía a música dela. Preocupada, conseguiu o endereço de Roberto e o visitou.

Recebida por Dona Laura, mãe do cantor, esperou até que ele chegasse. Apesar do início tenso, tudo se resolveu e lançaram o disco com a canção "Na Lua Não Há". Dali em diante, a relação entre Helena e Roberto foi sempre amigável. Sempre que se encontravam, Roberto perguntava pelos filhos dela e ajudava financeiramente quando necessário. Certa vez, encontrando as filhas dela na rua, levou-as de volta para casa, brincando sobre o encontro.

Em novembro de 1963, Roberto Carlos visitou Helena no pequeno bairro onde ela morava, o Horto Florestal, e ela organizou uma festa num campo de futebol para recebê-lo. Em abril de 1964, organizou uma missa em homenagem ao aniversário de Roberto, que também esteve presente. Durante toda a década de 1960, a parceria foi frutífera: Roberto pedia, Helena escrevia.

Numa tarde inspirada, às 16 horas, Roberto lançou um desafio a Helena: criar uma nova música até às 18 horas, baseada numa carta imaginária que narrasse o amor secreto de alguém que morava do outro lado da cidade. Sob a pressão do tempo escasso e a complexidade emocional do tema, Helena foi tomada por um momento de pânico. No entanto, Roberto, com um sorriso encorajador, tranquilizou-a: "Ah, Leninha, você é capaz, vai lá." Motivada por sua confiança e pelo estímulo criativo, Helena mergulhou no processo criativo com fervor.

Duas horas depois, nasceu "Do Outro Lado Da Cidade", uma música que não só cumpriu o prazo desafiador, mas também se consolidou como um sucesso atemporal. A aliança com Roberto foi uma virada radical e transformadora. Com o sucesso de suas músicas, Helena conseguiu sustentar sua família com os direitos autorais. As canções "Meu Grande Bem", "Fiquei Tão Triste" e "Do Outro Lado da Cidade" são apenas alguns exemplos do sucesso que alcançaram juntos. Além dessas, Helena também compôs em parceria com o compositor Edson Ribeiro músicas como "O astronauta", "Agora eu sei" e "Recordações".

Ao longo dos anos, Helena e Roberto desenvolveram uma amizade profunda e duradoura. Roberto sempre se preocupou com Helena e sua família, ajudando-os financeiramente quando necessário e mantendo um interesse genuíno pelo bem-estar deles. Helena, por sua vez, dedicou muitas de suas composições exclusivamente a ele, rejeitando ofertas de outros cantores.

Com a estabilidade financeira, Helena se mudou para apartamentos no Horto Florestal e mais tarde em Bangu. Em 1970, ela publicou o livro "Eu e o Rei", serializado pela revista Contigo, que detalhava sua jornada ao lado de Roberto Carlos, enriquecendo o imaginário público sobre a amizade entre a compositora e o Rei Roberto Carlos. Helena partiu em 2005, aos 83 anos, deixando um legado de perseverança, criatividade e lealdade.


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